Páginas

terça-feira, 10 de abril de 2012

E o salário ó!

Chico foi um gênio como poucos conseguiram ou conseguirão ser, e foi um gênio como ninguém conseguiu ou conseguirá ser. (Pensador Tupiniquim) 


E para substituir nosso “Amado Mestre” eu chamo... ninguém, porque o nosso Chico é insubstituível. Da mesma forma que os Trapalhões remanescentes fizeram essa singela homenagem ao nosso eterno Zaca, eu peço licença a eles para fazer uso de suas palavras em minha homenagem a Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho, o nosso Chico Anysio.

Todos gostariam que fosse apenas um “vapt-vupt” do Professor Raimundo, ou apenas mais uma vingança “malígrina” atrapalhada do Bento Carneiro, ou até mesmo mais uma “verdaaaade” suspeita do Pantaleão. Mas infelizmente, ele se foi. Por mais anunciado que tenha sido esse momento, nunca estivemos preparados, porque nunca estamos preparados para perder aqueles que nos são mais caros e próximos. E Chico era “caríssimo” e tão próximo dos brasileiros como se fosse parente de cada um de nós.

Chico foi inesgotável: humorista, ator, produtor, escultor, pintor, cantor, cronista esportivo, escritor, e tudo com excelência. E mesmo com de todo esse gigantismo, soube como poucos ser “professor”. Uma alma de uma generosidade tamanha que era capaz de se colocar de lado para que seus “alunos” pudessem brilhar. Alguns que Chico foi resgatar do amargo ostracismo, e outros o mestre catapultou para a fama. E era visível e notório o prazer com que ele abria as portas da sua casa a todos, sem qualquer distinção.

Deu vida a 209 personagens diferentes, genuinamente brasileiros, cada um com um trejeito e uma voz só sua. Chico foi multimídia, multifaces, multibrasil. Pra mim o maior artista de todos os tempos em todo o mundo. Os seus bordões com certeza permanecerão na memória de todos os brasileiros. Quem em algum momento não soltou um sonoro “Ca-la-da”, um “É mentira Terta?” ou então um “Olha a cascavel, olha cascavel”. Eu seguramente já fiz uso de vários deles nas mais diversas situações.

Chico fez graça com sua própria origem, seu físico franzino, fez do humor sua maior ferramenta para a crítica, sem nunca ofender quem quer que seja.

Os verdadeiros gênios são como estrelas que nunca se apagam, permanecendo com sua luz intensa nos iluminando para sempre. Sua figura não estará mais conosco neste plano, mas sua alma estará presente em sua obra. Cada vez que alguém entoar um de seus bordões Chico estará lá.

Vai com Deus mestre, com certeza o Pai lhe reservou uma sala de aula à sua altura, onde poderás reencontrar seus estimados alunos Francisco Milani, Rogério Cardozo, Costinha, Grande Otelo, Walter D'ávila, Mário Tupinambá, Marcos Plonka, Zezé Macedo, Rony Cócegas, Ivon Curi, José Vasconcelos... Os anjos devem estar ansiosos à sua espera.

Adeus e obrigado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário