O mundo tornou-se perigoso, porque os homens aprenderam a dominar a natureza antes de se dominarem a si mesmos. (Albert Schweitzer)
Pois que chega às mãos da Presidente Dilma o texto do novo Código Florestal Brasileiro. É certo que o código atual precisava ser revisto e aprimorado, contudo, Senado e Câmara (sobretudo este último) fizeram o de sempre: suas infelizes contribuições.
Novamente se colocou algo que não tem discussão, a defesa de um desenvolvimento sustentável, em um patamar inferior aos interesses individuais e de pequenos grupos. Óbvio que não se trata de inviabilizar a produção de alimentos, mas de impor limites e compensações realmente válidas para a atividade agropecuária.
Livrar produtores que, já sob o código antigo, praticaram desmatamento não se pode admitir. E os que fizeram direitinho como manda a cartilha? São uns otários? Pois é exatamente essa a mensagem que se passa com o que estão chamando de anistia.
Seguidamente vemos notícias de áreas imensas em processo de degradação, rios assoreados, desertificação, tudo fruto de uso inadequado do solo. Sem contar as seguidas tragédias provocadas por ocupação em áreas onde a mata deveria estar preservada, como encostas e topos de morros.
Mesmo tendo agricultura consolidada em áreas destinadas à APP`s, não se pode ter isso como justificativa para continuar uma exploração equivocada. Mas temos que também olhar o lado dos produtores, sem caráter demonizante de rebaixar todos no nível dos verdadeiros criminosos ambientais. É preciso chegar a algum tipo de compensação a esse produtores que perderão receita com a instituição das UPP`s e reservas legais.
Vale ressaltar que as propriedades rurais no brasil não são exclusivamente compostas por grandes produtores, com áreas bastante extensas, muito pelo contrário, grande parte é composta por pequenos produtores.
Se especialistas dizem que 30 m é o mínimo para matas ciliares, então que seja. Se está mais do que provado que ocupar encostas e topos de morros aumenta o risco de desastres, como os ocorridos no Vale do Itajaí, então que tais áreas sejam preservadas. É preciso encontrar um equilíbrio entre a utilização comercial da terra e a preservação.
Falta inteligência e vontade dos governantes de fazer o que é certo e necessário. Mais do que punir os que não cumprem seu papel de proteger o ambiente, é preciso premiar de alguma forma os que efetivamente fazem a proteção das áreas sob sua responsabilidade.
É preciso levar a Embrapa, a Emater e centros de pesquisa historicamente engajados com a atividade agropecuária, como a Universidade Federal de Viçosa, para as propriedades rurais. Levar tecnologia, financiar formas de manejo sustentável, colocar para os produtores que eles tem mais a ganhar do que perder ao proteger a terra que tanto amam.
Mas na dúvida, a natureza deve vir sempre em primeiro lugar. Sendo assim eu engrosso o coro: Veta Dilma.
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