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quinta-feira, 1 de março de 2012

A Culpa é do Papai Noel: Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil

Entre o prazo e o atraso há um mistério indecifrável de acontecimentos. (Murillo Leal)

No final de 2007 o Brasil foi escolhido para ser a sede da Copa do Mundo Fifa de 2014.
No final de 2009 mais uma vez fomos "agraciados" com mais um mega eventos esportivo:Olimpíadas 2016.

Falar das vantagens e desvantagens daria uma lista tão extensa quanto a distância entre o Oiapoque e o Arroio Chuí, sem contar que essa discussão já virou figurinha fácil em jornais, revistas, mesas de bar e afins.

O mais preocupante dessa história é a mega letargia com que os encargos necessários ao sucesso de tais empreitadas estão sendo conduzidos. Estamos exatamente no dia 01/03/2012, ou seja, a 2 anos e meio do primeiro e 4 anos e meio do segundo. Sem ter que usar uma calculadora para tal tarefa podemos fazer duas continhas bem simples: já se passaram pouco mais de 4 anos do primeiro anúncio e pouco mais de 2 anos do segundo.

Parece muito pouco crível que em 2 anos se fará o que não foi feito em 4 anos. Até mesmo uma lei, a tal Lei Geral da Copa, está penando para sair. Parece que sairá nos próximos meses.

Os aeroportos já são um caos hoje, que dirá na época dos jogos, e isso contando apenas a demanda normal, que dirá com o aumento do fluxo por conta dos eventos. Os portos vão pro mesmo caminho, de todos os listados como tendo necessidades de adequação apenas um teve um tímido início.

Mas sempre podemos lançar mão do já mundialmente conhecido e patenteado jeitinho brasileiro. Ou será que ninguém viu a solução genial para os problemas de mobilidade urbana: Feriado nos dias de jogos nas cidades sedes. É de uma genialidade de fazer inveja. Licitações, que coisa mais chata, vamos dinamizar o processo. Afinal de contas, o que é um risco de super faturamento perto da grandeza de sermos o centro das atenções do mundo todo.

Toda essa falta de zelo no trato da coisa pública me fez pensar em uma analogia com um Pai cultivando para o filho a figura do Bom Velhinho:

     Um garotinho confessou ao Pai que queria uma bicicleta de presente, algo bem menos vultoso que vários estádios candidatos a elefantes brancos.
     Este pai diz ao menino a célebre fase: se você for bonzinho o ano todo o Papai Noel lhe trará a sua tão sonhada bicicleta.
     O pai, ciente de que o Bom Velhinho nada mais é que o seu próprio bolso, sabe que terá a tarefa de se planejar para realizar o desejo do garoto. Afinal de contas, ao colocar a bicicleta na conta do Papai Noel ele automaticamente colocou-a em sua própria conta.
     O garotinho fez sua parte, se comportou e cumpriu com todos os seus deveres durante o ano todo. Já o zeloso pai, gastou o que podia e o que não podia durante todo o ano e, nessa sua farra consumista acabou por esquecer a promessa feita.
     Na manhã de Natal, antes que todos acordassem, o garotinho corre para a sala já imaginando as aventuras com sua nova bicicleta. Tal não foi a decepção quando se deparou com a sala vazia.
     O zeloso pai, ao encontrar o menino aos prantos, finalmente se dá conta da decepção que casou.
     Mas nem tudo está perdido, como o Leão da Montanha o pai sempre tem uma saída estratégica pela direita (o que é isso companheiro: pela direita nunca, pela esquerda):
        - Filho, o Papai Noel me ligou e me disse o que aconteceu: ele projetou a bicicleta mais bonita do mundo para você, mas os duendes que fornecem as peças não as entregaram. Eles tiveram muitos feriados na cidade dos duendes por conta do campeonato de corrida de renas. Sem contar que a lei que regulamentava o Natal desse ano não foi aprovada a tempo para a montagem das bicicletas. Mas ele prometeu que ano que vem tem o PAN (Programa de Aceleração do Natal) e você terá a sua bicicleta e vários acessórios incluídos.

A Copa e as Olimpíadas vão sair, claro que vão, mas num custo absurdamente tão grande quanto a megalomania desse governo. Ou ninguém se lembra dos gastos muito acima do previstos para o PAN do Rio. Fora a vergonha que vamos passar com puxadões e puxadinhos de toda natureza.

Este ano temos eleições, então é bom ponderar bem antes de depositar seu voto na urna. O risco é acordarmos pela manhã e vermos nossas esperanças destruídas pelo malvado Papai Noel e sua gangue de duendes desalmados.

Boa reflexão a todos nós.

2 comentários:

  1. Analogia fantástica!!! Uma coisa é fato.. nada acontece ao acaso.. essa história de que brasileiro sempre deixa tudo pra última hora e sempre dá um jeito de culpar os outros pela própria omissão, neste cenário acaba sendo o pulo do gato para os oportunistas de plantão. Quem disse que a ideia, desde o começo, não era deixar o tempo passar pra depois recorrer às maravilhosas maracutaias políticas e ignorar licitações (mecanismos burocráticos que deveriam proteger os interesses do povo) e conseguir embolsar os "pedágios" pra enfim a "coisa" andar? É lamentável constatar que mudam os jogadores mas o jogo continua o mesmo... Quando alguém vai chutar o balde e mudar as regras? Espero estar vivo pra ver...

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    1. É bem por aí mesmo, na última hora tudo vira emergência, aí afrouxa-se a corda. O chute cabe a nós mesmos, tentando votar em quem realmente tenha espírito público e decência. Infelizmente são artigos raros hoje em dia.

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