A morte de cada homem diminui-me, porque sou parte da humanidade. Portanto, nunca procure saber por quem os sinos dobram; eles dobram por ti. (John Donne)
Cada vez que ligo a televisão, abro um jornal, folheio uma revista ou ligo o rádio me deparo com o estado caótico no qual se encontra a humanidade.
Filhos mantando pais, e vice-versa, brigas de torcida, trânsito assassino, mortes nos corredores de hospitais, idosos sendo maltratados por quem deveria zelar por eles. Se for enumerar aqui as barbáries não farei outra coisa.
O fato é que as pessoas parecem ter perdido, e se for analisar friamente a história da humanidade vou ficar na dúvida se realmente um dia tivemos, a capacidade de se importar verdadeiramente com o próximo.
É claro que existem pessoas que se dedicam a ajudar seus semelhantes, mas enquanto estes trabalham como os artesãos da Idade Média, os episódios bárbaros são produzidos em escala industrial.
O pensamento de John Donne me parece ser bem pertinente, pois creio que falte às pessoas o entendimento de que o que atinge o seu vizinho também o atinge.
Não é porque aquele maluco saiu atirando a esmo na Noruega que devemos pensar: "Ahh, isso só acontece lá". Não muito tempo atrás um cidadão com o mesmo nível de sanidade mental invadiu um cinema em São Paulo e disparou uma metralhadora, isso mesmo, aquele tipo de arma que vemos nos filmes.
Mas nem só de malucos vive a nossa indústria de barbáries. O que podemos dizer dos senhores de escravos (a Princesa Isabel apenas acabou com escravidão legalizada), dos hospitais superlotados, da falta de respeito com nossos professores sendo agredidos por alunos em pleno exercício da sua função, de motoristas enfurecidos agredindo outros por uma discussão de trânsito?
Será esse o Apocalipse relatado na Bíblia? Estaremos mesmo fadados à auto-extinção? Não tenho essa reposta, mas posso dizer que, se um dia passares por uma Igreja e os sinos estiverem ecoando em um ritmo fúnebre, não perguntes por quem os sinos dobram, pois certamente estarão dobrando por ti.

Não se esqueça que o homem é, antes de tudo, animal.
ResponderExcluirSe importar com o próximo? Isso é plaquinha com pretexto cristão de elevação em algum nível. Quem ajuda, sempre faz esperando algo em troca ou recompensa no céu.
Mas não entendi se vc se queixa da falta de caridade ou altruísmo no mundo. Mas tudo bem né, tanto um quanto o outro consegue ouvir os badalares...
Caríssimo(a), antes de mais nada obrigado pela visita e por expressar sua opinião.
ExcluirRealmente, antes de qualquer outra coisa, somos animais. Mas uma vez que decidimos viver em sociedade, precisamos dominar os instintos primitivos em prol da convivência.
Apesar de mencionar minha crença, a mensagem principal que eu quis passar não passa necessariamente por credo religioso. Assim como em nenhum momento mencionei altruísmo, caridade ou um lugar no céu.
A questão que eu quis levantar foi de que estamos "falidos" enquanto raça humana, já que o seu semelhante não tem qualquer valor. Mesmo animais desprovidos da capacidade intelectual que temos, possuem na sua programação genética um instinto de preservação da espécie muito mais avançado do que nós.
Na verdade perdemos a capacidade de nos indignarmos com os absurdos que acontecem no nosso dia-a-dia. Passamos a achar tudo normal. Desde um estupro no ônibus até o político corrupto. Tudo bem desde que possamos comentar os lances do futebol após o fim de semana.
ResponderExcluirComo eu disse, é tanto absurdo que acabamos nos tornando insensíveis, talvez como uma forma de não enlouquecer e conseguirmos "tocar o barco". Obrigado pela visita.
ExcluirMuito bom o artigo. Tenho pensado nisso já faz um tempo...em como nós perdemos a capacidade de nos importarmos. Como tudo...realmente a Loas tem razão: nada mais nos deixa indignado. Isso é o perigo maior...
ResponderExcluirObrigado pela visita Natasha. E nunca é tarde para mudarmos nossos conceitos e posições.
ExcluirÓtimo texto... Penso o mesmo que o Patroni (Loas)... Vivemos em um mundo tão inóspito, tão frio e impessoal, que por vezes nos pegamos absortos a ponto de não revidarmos com o mal que nos cerca. Devemos refletir mais vezes e nos questionarmos mais para que não passemos pelo mundo como figurantes... É difícil, mas como Fernando Pessoa diz em "Navegar é preciso", "... Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir para a evolução da humanidade..." Coloquemos em nossa essência a vontade de fazer algo diferente... Ninguém disse que viver seria fácil. Façamos nossa limonada!
ResponderExcluirNão perguntes o que a tua pátria pode fazer por ti. Pergunta o que tu podes fazer por ela. (John Kennedy)
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